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A Venezuela como lição

February 29, 2016

 

“Temos que ajudar os venezuelanos”, dizem pessoas sensatas quando ficam sabendo que o país vizinho está entrando em colapso. De fato, saber que milhões de pessoas sofrem pelo desabastecimento e pela erosão de sua dignidade, que a pobreza campeia e a prosperidade se afasta, é de gerar o compadecimento de seres humanos decentes. Não são todos os humanos, infelizmente, que podem receber o título de decentes.

Converso diariamente, através do Twitter, com alguns interlocutores venezuelanos. Já percebo, ultimamente, uma enorme fadiga em suas palavras, frases, pensamentos. Estão cansados de lutar, estão com medo. Já mostram sinais de fraqueza e de derrota. A fome que os ameaça, decorrentes da falta de comida por todo lado, atua, por incrível que pareça, a favor dos tiranos bolivarianos. Ao contrário do que sugeria acontecer – a revolta do povo pela submissão mais cruel – a oposição venezuelana, a despeito da vitória nas eleições legislativas, não consegue dar o combate mínimo e corajoso que requer a virada da mesa e fazer acontecer as mudanças tão necessárias quanto vitais.

Pois é.…será mesmo que temos que ajudar os venezuelanos? Não foram eles que criaram Chávez, Diosdado, Nicolás Maduro? Não foram os cidadãos da Venezuela que vestiram vermelho e optaram por dar apoio de maioria e sustentação ao chavismo e ao bolivarianismo? Estas perguntas eu tenho feito aos amigos de lá pelas redes sociais. Eles geralmente me dizem “fomos às ruas, mas não adiantou. Sofremos ataques violentos demais para permanecer protestando. Muitos morreram, outros tantos foram presos”. Outra resposta forte é que “Maduro e Cabello possuem as forças armadas a seu lado” e “não podemos combater armas sem armas”. Em todos os casos, eu ouço, lamento e replico: “Os erros cometidos pelos venezuelanos agora são nada perto da covardia do povo venezuelano. Acham que vão acabar com suas próprias falhas sem sangue, sem mortes, sem violência? Pois se equivocam! ”. Eles recebem esta e outras manifestações semelhantes com pesar, com a consciência lotada de equívocos cometidos. De alguma forma, eles sabem que terão de retomar o poder pela força e não pelas veias abertas da democracia entre aspas que hoje prevalece no país.

Pois que a Venezuela nos sirva de lição. Não apenas por causa das más escolhas que, repetidas, levam ao mais profundo fracasso, historiado diariamente pelas capas solenes de jornais, dos mais aos menos comprometidos com a verdade. Falando agora do Brasil, já desconfiamos que a destruição da economia provida pelo PT e seus confrades de festim macabro difere muito pouco da venezuelana, pois é fruto da mesma doutrina perversa, de um sistema econômico repugnante e de pessoas que, por semelhança pútrida entre conteúdo e caráter, se servem da mentira, da inépcia e da corrupção para implantarem nova e mefistofélica casta. Esta é a ideia do petismo, a síntese do bolivarianismo, a mais gritante confissão de culpa do marxismo.

Portanto - e lamentavelmente - os erros de quadriênios de más opções no Brasil e décadas de más escolhas venezuelanas não podem ser simplesmente redimidos sem o aprendizado doloroso e, quiçá, sangrento. Não há como “ajudar nossos irmãos da Venezuela”. O sangue de muitos deles, ao que tudo indica, terá de ser derramado em luta fratricida. Se no Brasil não houver freios mais eficientes ao petismo, o mesmo poderá acontecer: irmãos nas ruas lutando contra irmãos, com mortes, sangue e dor.

Seria muito mais simples se houvesse bom senso, prudência e cautela, que houvesse renúncias diante dos fatos e que houvesse boa-fé para reconhecer os erros e para conter o fracasso. Mas daí não estaríamos mais falando de Venezuela e de Brasil.

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