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Cartas a Porto Alegre II

February 29, 2016

II – Cidade de descobertas

Fui alfabetizado no Grupo Escolar Venezuela, um excelente colégio público, no bairro Medianeira. Nos dois anos seguintes, por ser mais próximo de minha casa, estudei no GE Vera Cruz, onde minha avó Cotinha era vice-diretora. Na quarta série, voltei ao Venezuela e nos anos seguintes virei Marista. Primeiro, no Ginásio Assunção, na Oscar Pereira aolado da Igreja (onde fui batizado pelo Padre Germano Rambo) e depois no Rosário. Amei todos os colégios por onde passei. Lembro com carinho do portentoso “Veneza” e do modesto Vera Cruz (de madeira, mas de primeiríssima qualidade). No Venezuela, esportes, grandes e inesquecíveis professores, os lanches deliciosos do intervalo (polenta com guisadinho, canjica, arroz de leite) e nossa única obrigação era levar a caneca de alumínio número 3 ou 5 (não lembro exatamente). 
No ano de 1972, ingressei no Assunção, não apenas porque meus pais já podiam pagar uma escola particular para mim e meu irmão Geraldo, mas porque queríamos muito a experiência de acessar outros recursos – e como havia! Bibliotecas espetaculares, salas de recursos audiovisuais de ponta (som quadrifônico, projeção de filmes em 16mm, diapositivos, etc.), laboratórios de biologia, com microscópios Carl-Zeiss de altíssima qualidade, de física com todo tipo de equipamentos para experiências diversas, de química, bem igualzinho aos filmes onde cientistas malucos juntavam líquidos que mudavam de cor e faziam fumaça. Eram experiências diárias de aprendizado que, como meus leitores podem observar, não se perderam no tempo.
Ainda no Rosário, aprendi a ser laboratorista de análises clínicas. Aprendi a fazer hemograma, qualitativo de urina, exame de líquor e muito mais, tudo à noite, todos os dias da semana, durante um semestre inteiro. O curso era tão bom, ministrado por professores tão competentes que se eu quisesse, sairia dali com 16 anos e trabalharia em qualquer laboratório de Porto Alegre sem fazer feio. 
Eu sempre valorizei o aprendizado, as experiências pessoais e de outras pessoas. Sempre fui grato a meus pais por terem me dado boas chances de futuro e sempre respeitei muito todos os meus professores. Alguns se destacaram: O Pontello foi o melhor professor de história que já conheci. Em ciências, o Érico era o cara (5ª e 6ª séries). No meu segundo ano, Maria de Lourdes, que professora competente e carinhosa! Otávio em Biologia, Becker na Química, o velho e imbatível irmão Kipper em Física, Jajá, o mestre-fenômeno, Elton, o “master” em tecnologia e, é claro, a Dona Dulce, minha mãe e alfabetizadora no primeiro ano primário. Todos aqui, dentro da minha memória e no apartamento de cobertura, com vista para o mar, no condomínio do meu coração. Sem eles, NADA! A eles, tudo.
Essas gostosas reminiscências para dizer aos meus amigos que temos que fazer nossas vidas melhores, mais seguras, gostosas, memoráveis. É possível termos de volta a qualidade de outros tempos com as vantagens dos tempos atuais. Quem é responsável por isto? Cada um de nós, 24 horas por dia, ano após ano.
Temos que ter uma cidade melhor para nossos filhos e netos.
Para que possamos ler coisa semelhante escrita, no futuro, por eles.
Que tal?

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