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Cartas a Porto Alegre I

February 29, 2016

I – Amor de infância

Costumava chover nos finais de tarde de verão em Porto Alegre. Na Rua Madre Ana, bairro Glória, fim da linha do Bonde, era motivo de festa o formar de nuvens carregadas depois de um calor de quase 40 graus. Jogávamos bola no meio da nossa larga rua até o início dos temporais benfazejos, que encerravam o jogo e davam lugar ao já tradicional banho de chuva. Quando passavam os carros e os ônibus, o que não era muito frequente, íamos para as calçadas. Ninguém jamais foi atropelado, ninguém se machucava nos jogos. Havia alegria e nossas mães só nos chamavam quando sabiam que precisávamos comer algo, pois as férias estavam recém no começo e ninguém na nossa turma abria mão de jogar, ser feliz e coroar tudo isto debaixo de uma enorme chuvarada.
Morávamos na base de um morro, as casas eram abertas, cercas baixas. Quando queríamos falar com nossos amigos, bastava berrar o nome deles que todo mundo ouvia. 
O que aconteceu com nosso mundo, nosso país, nosso estado e cidade de Porto Alegre? Íamos a pé para o Ginásio Assunção, voltávamos de ônibus, sempre sem quaisquer problemas. Porque tudo piorou ao invés de melhorar e, a pergunta de um milhão de dólares: Dá pra voltar a ser parecido?
Antes que alguém evoque “ditadura militar”, eu informo: Nós não tínhamos a mínima ideia do que isto significava. Éramos crianças livres, que pegavam suas Monaretas na Glória e pedalavam até a Tristeza e voltavam.
Nós não ousamos querer o passado de volta. Mas queremos um futuro melhor.
Como?
Em primeiro lugar – e isto vale para tudo – temos que nos dar conta de que NÓS é que precisamos mudar. Para termos uma vida melhor, temos que ir atrás, conquistar, brigar por ela se for preciso. Chega de achar que vão fazer as coisas por nós. NÃO FARÃO. 
Em seguida, temos que perseguir duas coisas imediatamente: segurança e sensação verdadeira de segurança. Temos que proteger nossos filhos, temos que proteger nossas ruas, escolas, propriedades. Temos que estar ainda mais vigilantes.
Porto Alegre precisa ser uma cidade de cidadãos atentos, atuantes, mobilizados em favor do bem. Guarda Municipal altamente treinada, padrões ostensivos e preventivos, muita técnica e muita ação. Mas, principalmente, temos que nos tornar melhores e mais atentos cidadãos, do tipo que não aceita qualquer coisa, que não topa ser tirado para idiota 365 dias de cada ano.
Mais ação e muito mais participação e controle SOCIAL, das pessoas, organizadas em prol do bem e da justiça.
Que tal?
Conte comigo pra isto e muito mais.

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