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A EMPRESA BANDIDA

July 19, 2016

 

No último filme do James Bond, finalmente nos foi revelado quem estava por trás de todos os crimes desde Casino Royale (2006): A Spectre, uma organização presente em vários países, com uma cabeça controladora e diversas ramificações nas mais variadas áreas do crime internacional. A Spectre era uma organização criminosa fortíssima, assim como a Kaos, do divertido Maxwell Smart, o impagável Agente 86. A Kaos e a Spectre foram a maneira com que os escritores ou roteiristas decidiram dar aos bandidos uma face aterradora e invencível, ou seja, dando-lhes feições “corporativas”. Nada é mais terrível do que um bandido que faça parte de um setor, de um departamento, de uma “holding”. Ser mau não é o bastante. Tem de ter um crachá.

 

A Spectre e a Kaos, no entanto, são (ou eram...) organizações privadas. Há entidades públicas que são tão ou mais assustadoras do que as corporações privadas do mal. Dentre elas, podemos citar a CIA de Jason Bourne, a KGB de Illia Kuryakin, o MI6 de 007, a Mossad e outras tantas. As agências de inteligência mais famosas lidam com mocinhos e bandidos ao mesmo tempo. E mesmo os mocinhos se utilizam de expedientes nada legais ou republicanos para resolverem suas missões. O agente duplo-zero, por exemplo, tem permissão do MI6 para matar e nós, graciosamente, oferecemos aos bandidos a permissão para morrer.

 

Chegando ao Brasil, as coisas, para variar, viram de cabeça para baixo. Mencionar SNI e ABIN não significa muita coisa. Nossos maiores heróis até hoje foram o Vigilante Carlos e o Capitão Asa. Os brasileiros não eram muito chegados a esse negócio de bandidagem em grupo. Sempre preferiram o assalto solitário, o roubo discreto. Existe, claro, um PCC, uma facção aqui, outra ali. São gerenciadas de modo informal e geralmente seus CEOs e diretores estão internados em prisões de segurança máxima (o que, no Brasil, também é algo altamente relativo).

 

Foi preciso entregarmos o poder ao PT para que tivéssemos nossas primeiras organizações criminosas de verdade. Logo que Lula (o nosso Doutor Evil) chegou ao Planalto, as organizações criminosas começaram realmente a tomar corpo. Surgiram divisões na Odebrecht, na Andrade Gutierrez, na OAS e em outras preocupadas quase que exclusivamente em exaurir a riqueza do país através de todo o tipo de fraude e assalto aos cofres públicos. Formaram elas também uma espécie de holding, que se reunia periodicamente, lembrando a famosa cena do filme Os Intocáveis, quando De Niro, insuperável como Al Capone, destrói a cabeça de um de seus “gestores” com um taco de beisebol. A Máfia – a organização mais longeva e famosa do mundo – jamais sonhou roubar e distribuir tanto dinheiro quanto fez a turma brasileira de amigos de Lula e Dilma.

 

Hoje o Brasil já tem a sua ORCRIM, sigla de Organização Criminosa, derivada da Operação Acrônimo deflagrada em 29 de maio de 2015, que apurou mais um esquema de lavagem de dinheiro para campanhas eleitorais em Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal por parte de empreiteiras, associações, gráficas, montadora de automóveis, associações, confederações, companhia aérea e empresas de comunicação que receberam, direta ou indiretamente, recursos do BNDES.

 

Temos, portanto, os nossos bandidões, criados a Toddy pelo PT. Nossos “bad guys” são muito mais vorazes e gulosos do que todos os demais, de ficção ou não. Não temos Bonds, Bournes ou Bauers, nem Austin Powers ou Mata Haris. Nossos heróis, entretanto, existem e são muitos, espalhados pelo país. São os milhões que foram às ruas pelo impeachment de Dilma, são os membros do MP do PR e de várias outras praças brasileiras, são diversos juízes, especialmente o grande Sérgio Fernando Moro. Ninguém pode com eles. Ninguém pode contra um Brasil inteiro, muito menos o mosquito.

 

Mas ainda precisamos mais: nossas empresas não podem se consagrar como empresas bandidas. Não é possível conviver com empresários bandidos, ardilosos, ordinários, mentirosos e desonestos. Chega disto. Nossos vilões têm de estar apenas de um lado, do lado contrário ao nosso. Chega de Marcelos com Lulas, de Léos com Dirceus.

 

Na vida real, não podemos mais conviver com empresários e políticos com permissão para matar a esperança de um país inteiro.

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