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Um ato fálico em verde e amarelo

May 13, 2017

 

 

A gravata de Lula foi escolhida por ele cuidadosamente para seu depoimento frente ao Juiz Sérgio Moro e os representantes do Ministério Público Federal. O adereço, com listras amarelas, verdes e brancas, com fundo azul, era para simbolizar que ele é um patriota, que leva o Brasil no peito, que ele sabe que o vermelho vem só depois das cores nacionais. Isso tudo ele quis nos sugerir. Não foi, contudo, o que me pareceu.

 

A gravata surgiu na França do final do século XVII. Os franceses adaptaram uma peça do vestuário de um regimento croata, de passagem por Paris. Eles usavam um cachecol de que mantinha o pescoço fresco no verão e quente nos dias mais amenos de inverno (quando o frio se intensificava, era trocado por um modelo de lã). Na França, o adereço passou a ser fabricado em linha ou renda. Era usado com um nó no centro, como a gravata moderna, e tinha duas longas pontas soltas. A indumentária, usada tanto por homens quanto por mulheres, recebeu o nome de “cravate”, que significa croata em francês.

 

Função prática? Não protege o corpo dos extremos do frio e do calor e nem mesmo cumpre uma utilidade justificável, como o cinto, por exemplo. O uso da gravata serve hoje a fins meramente estéticos e simbólicos. Mas um símbolo é um tipo de representação que remete a uma outra realidade. Freud, em sua obra "A interpretação dos sonhos", menciona "Nos sonhos produzidos por homens, a gravata aparece amiúde como símbolo do pênis. Sem dúvida, isso ocorre não apenas porque as gravatas são objetos longos, pendentes e peculiares aos homens, mas também porque podem ser escolhidas de acordo com o gosto - uma liberdade que, no caso do objeto simbolizado, é proibida pela Natureza."

 

Os homens usam gravatas quando querem passar uma impressão de autoridade, respeitabilidade, poder, potência, seriedade, confiabilidade, entre outras coisas. Tanto o pênis quanto a gravata são objetos que ficam pendurados na parte frontal do corpo masculino. A partir disso podemos compreender que a gravata, pelo fato de ser utilizada em determinadas ocasiões e visando causar determinadas impressões (de autoridade, respeito, força, etc.), que são as mesmas simbolizadas pelo Falo, é uma representação de sua encarnação, a saber, do pênis. Estas considerações psicanalíticas são do filósofo Glauber Ataíde e não são novidade para ninguém.

 

O uso de um símbolo fálico com as cores da bandeira brasileira diz claramente a todos nós que ele ainda não desistiu de nos violentar, abusar, de literalmente nos foder. Seu jeitão indolente e irresponsável ainda lhe sugere que, a despeito de seus 71 anos, ainda tem poder para isso. Que o cárcere, então, seja a sua andropausa e flacidez política. Chega de tanta violência e despudor.

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