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Mudança ou morte

June 18, 2017

 

Acho que foi no início dos anos 70 que eu assistia aos programas eleitorais na TV em preto e branco, do alto de meus 12 anos, penso eu. Eu não assistia por causa outra que não fosse a programação que  viria em seguida. Nessie, o menino dinossauro, Nacional Kid, Os Herculóides ou outros tantos programas que embalavam as tardes da meninada que estudava de manhã. Sempre me sujeitei ao turno da manhã na escola em função dos programas de TV que só havia à tarde naqueles tempos. Nossa alegria começava depois do horário político.

 

Houve momentos nestas esperas pela programação da TV, entretanto, que eu lembro com surpreendente limpidez: Havia dois personagens políticos cujo discurso me cativavam a atenção. Um deles se chamava Paulo Brossard de Souza Pinto, candidato, se não me trai a memória, a Senador. Ele era do MDB e antagonizava com o candidato da ARENA, Nestor Jost (juro que não busquei nada fora da minha memória para escrever estas linhas). O outro cara que me agradava era um bigodudo falante e com pinta de corajoso, Pedro Simon. Acho que ele era candidato a deputado, pois não havia eleições para prefeito, governador ou presidente.

 

Brossard e Simon eram símbolos da resistência contra o regime militar aqui no RS. Dois sujeitos falantes, cáusticos e intimoratos que inspiraram gerações inteiras de políticos e juristas, agregando ao redor deles grandes nomes de resistência naquele ambiente bipartidário. Lembro que a TV Admiral esquentava suas válvulas ao som destes mitos, pois que a imagem inteira aparecia em seguida, quando elas estavam aquecidas e totalmente funcionais. E eu escutava apenas aos dois, pensando que eles eram sujeitos do bem. Acho que não me enganei até hoje, salvo melhor juízo.

 

De lá para cá, o MDB se transformou num condomínio de heróis e de bandidos. Michel Temer, Renan Calheiros, Romero Jucá, Padilha, Geddel, Angorá, Eduardo Cunha, Orestes Quércia e outros tão conhecidos da crônica político-policial, são ou foram do mesmo partido de Mário Covas, Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Teotônio Villela e outros tantos próceres do PMDB, criado no final dos anos 70. Hoje, o partido é um mosaico onde prevalece a presença de bandidos, tal como seus pares PSDB, PT e PP.

 

Quem diria que a democratização do país iria lhe fazer tão bem e tanto mal. Com a liberdade, eleições diretas e uma constituição moderna, brotaram as pústulas da corrupção, partidos se tornaram quadrilhas, tribunais foram transformados em guichês de imoralidade e a condição para habitar a vida pública no Brasil é ser mau caráter, ladrão, bandido, com ausência plena de ética e senso público. Quer roubar e ficar livre? Aceite o conselho de Lula e entre na política. A democracia brasileira foi parida por oportunistas e gerida por criminosos. Tudo está podre, caindo aos pedaços. Sobra quase nada. Líderes não se criaram, homens públicos de bem foram expelidos da política e o substrato precisa todo ele ser trocado para que surjam brasileiros de bem que, inexoravelmente, não estão hoje na cena política.

 

Não é necessário que PMDB, PT e PSDB sejam exterminados. Já o foram. Acabaram. O Brasil precisa votar APENAS em quem ainda não teve cargo público. O Brasil vai votar em quem tiver vida proba, ideias novas e que se comprometa com a lei e com o povo do país. Os atuais partidos são cadáveres putrefatos. De Lula a Aécio, de Dilma a Temer, de Marina a Doria ou Bolsonaro. Nenhum deles pode comandar o nosso país como ele merece ser tocado.

 

Eu tenho até saudade dos discursos de Brossard e de Simon há quase meio século atrás. Mas precisamos de novos líderes, como Deltan, Moro, Júlio Marcelo e outros tantos dormentes e tão necessários.

 

O Brasil precisa jogar sua atual política no mesmo lixão onde foram jogadas as velhas Admiral à válvula.

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