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The song remains the same

December 26, 2017

 

 Na luz do Sol da Califórnia, na doce chuva de Calcutá,

na Honolulu estrelada, a canção continua a mesma.

 

“The song remains the same”, a música, que também dá título a álbum da banda britânica Led Zeppelin, completou 44 anos em 2017. Por mais que a gente viaje, a música continua a mesma. Quanto mais evoluímos - ou simplesmente envelheçamos - a música permanece a mesma. Ainda bem! A música sempre foi global, universal, mesmo nos tempos de Mozart, quando só se podia ouvi-la em salas de concerto ou teatros muito chiques. Em geral, por mais que o tempo passe, Led Zeppelin continua a ser o mesmo, a despeito das costas encurvadas e das rugas de seus integrantes.

                                                                                                                 

A música é cada vez mais a mesma no Spotify. Só o que muda, em verdade, são os gadgets. Passei por um adolescente no colégio do meu filho que ouvia Rush no seu MP3. Tudo muda menos a música, que permanece a mesma. Menino de 12 anos ouvindo banda de 30, 40 anos. Nada mais cool do que isto. “Épico”, como eles diriam. Observando a galerinha a gente se convence que tudo muda na mesma direção. Do Walkman dos anos 80 aos multiplayers de hoje, continua rodando Metallica, Sepultura, Yes, Black Sabbath. Enquanto o menino ouve as músicas, lê os “posts” no Twitter ou acessa seu Facebook. Nada é mais antigo e “out” do que o Orkut, que é mais recente do que o neto mais novo do Jimmy Page. O Napster é um fóssil pré-histórico. O Led Zeppelin jamais será. O menino com os fones enormes nos ouvidos nem sabe o que foi o tal do Napster. Mas conhece e respeita Robert Plant.

 

A tecnologia que se acopla a nós, nossas roupas e estilos de vida é cada vez mais íntima e menos invasiva. Os usuários se adequam aos hábitos que acompanham as instruções de uso de seus novos gizmos. Eu acredito nessa rapaziada e descubro que é cada vez mais raro o som de celulares no cinema. Cada vez há mais celulares e mais pessoas educadas também. A educação é como um fone de ouvido. É um acessório que vem junto. Quando vejo uma garota com fones de ouvido, vejo alguém conectado com algo bom. Muito melhor ouvir a Katy Perry ou a Lilly Allen do que um chato qualquer ao vivo e a cores. Garotas são menos “clássicas” do que os meninos. Continua sendo muito mais difícil entender as meninas do que os guris. E até nisto a música permanece a mesma.

 

Os cinemas cada vez mais lotados não parecem perder espaço para os smartphones. Um vídeo curto ou um episódio de Game of Thrones até vá lá. Quando quiser encontrar um “noob”, vá ao cinema. Ele vai estar lá em alguma horda bárbara, trocando Whatsappcom seu parceiro do lado. As livrarias também parecem ser um bom negócio. Também vendem Blurays, DVDs e CDs. Mas o gordo do faturamento é livro mesmo. “Diário de um Banana” já está na enésima edição e as seções de literatura teen são as mais visitadas por teenagers, claro. Mas não só por eles. The book remains the same. People remain the same. E gente não quer só comida. Comida é pasto. Viva os Titãs.

 

A visão tranquila que eu tenho não é compartilhada por muitos. Tecnologia pra mim é uma casa no campo, onde eu possa compor muitos rocks rurais. Uns acreditam que, daqui pra frente, tudo vai ser diferente, você tem que aprender a ser gente. Pois é assim mesmo. Pegue a esteira e o chapéu e toque pra praia que o sol já vem. Leve seu iPhone ou seu Android com você e seja feliz. Se quiser responder ou mandar e-mails, fique à vontade. Os fones de ouvido não cresceram apenas para melhorar o som. Aumentaram também para afastar os chatos, que também, infelizmente, permanecem os mesmos e vivem como nossos pais.

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